Ouço os passos dele no corredor.
A madeira do soalho range sempre,
como rangem as solas dos seus sapatos.
Fechei a porta mas sei que
não vai adiantar nada.
Ele consegue sempre o que quer.
Já ouço a maçaneta à roda devagarinho
e sinto a respiração pesada,
o hálito a cerveja,
o suor que lhe escorre do corpo.
Encolho-me, mas sei que não servirá de nada.
Ele consegue sempre o que quer.
E quer-me a mim...
Mário Cordeiro