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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Turismo Sexual e NAMBLA

A Organização Mundial do Turismo (OMT) definiu, em 1995, o turismo sexual como sendo “viagens organizadas, dentro do seio do sector turístico ou fora dele, que utilizam, no entanto, as suas estruturas e redes com a intenção primária de estabelecer contactos sexuais com os residentes do destino”.

Historicamente, as viagens sexuais e a prostituição têm sido muitas vezes associadas. De facto, quando olhamos para a história do turismo podemos verificar, através das ruínas de antigas grandes cidades, que era frequente estas receberem visitantes que se deslocavam até lá unicamente com esse intuito. Já há cerca de dois milénios existiam bairros de prostitutas (muitas delas crianças menores que eram muitas vezes "vendidas" pelos próprios familiares, inclusive pelos próprios pais), constituindo exemplos deste facto as ruínas das cidades de Éfeso (Turquia), Babilónia (Iraque) e Pompeia (Itália).

Ultimamente, o Turismo Sexual tem sido reconhecido como uma das atracções turísticas de vários países do Sudeste Asiático e da América Latina (mais propriamente, nas áreas mais degradadas do Brasil). Imensos grupos de pedófilos organizam, anualmente (ou até mesmo com mais frequência), viagens a determinados locais com vista a ter relações sexuais com crianças que se sujeitam a este tipo de situações em troca de dinheiro, comida ou lugar para dormir ou então, são obrigadas e coagidas a tal.
Assim sendo, uma das associações que defende o Turismo Sexual é a NAMBLA, uma Associação Americana que defende o Amor entre Homens e Meninos (North American Man and Boy Love Association). Por outras palavras, e mais objectivamente, trata-se de uma associação de activismo pedófilo homossexual pouco conhecida nos Estados Unidos da América, com base em Nova Iorque e São Francisco, mas que conta com muitos membros e que, aos olhos da lei, é perfeitamente legal porque apenas promove o "amor" entre adultos e crianças. Entre muitas outras ideias, a NAMBLA opõe-se à ideia de uma idade mínima para uma pessoa ter relações sexuais (idade de consentimento).

As teses defendidas pela NAMBLA, e sua simples apologia, são ilegais em inúmeros países. No entanto, a sua advocacia sexual é garantida nos EUA pelo “First Amendment”. Para os seus críticos a NAMBLA não passa da fachada legal de uma rede de violadores de crianças e pedófilos que traficam técnicas de sedução e pornografia infantil e organizam viagens para promover o sexo ilícito.
Em 2005, uma operação policial do FBI prendeu vários integrantes da NAMBLA que negociavam viagens para o México, a fim de terem relacionamentos sexuais com meninos. Os sete membros da NAMBLA acusados de actos criminosos constituem uma fatia representativa da sociedade americana em geral: um dentista de Dallas, um professor especializado de Pittsburgh, um professor substituto da Carolina do Sul, um faz-tudo do Novo México, um comissário de bordo de Chicago (que também era psicólogo), um operário de fábrica de papel e um treinador particular, ambos da Florida. Foi preso também um pastor protestante. Também foram encontradas pistas que envolviam um padre católico.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Abuso Sexual de Menores

O abuso sexual de menores é uma forma de abuso infantil e diz respeito a qualquer acto sexual abusivo praticado contra uma criança ou adolescente. Embora se pense que o abusador é sempre uma pessoa adulta, há casos em que um adolescente abusa sexualmente uma criança. Neste tipo de casos prevalece o factor da idade de consentimento que varia conforma a legislação de cada país. Por exemplo, no México é de apenas 12 anos; em Espanha já é de 13; e, por outro lado, no Reino Unido é de 16 anos. Em Portugal, tal como acontece no Brasil, Itália, Alemanha, Áustria e China, a idade de consentimento é de 14 anos. Isto significa que qualquer pessoa que pratique sexo com um menor de 14 anos de idade é punido por lei, mesmo que o acto sexual tenha sido consentido e não tenha envolvido violência.


Existem duas formas de abuso sexual de menores:
1. Com contacto físico - que engloba a violência sexual (forçar a relação sexual com recurso a ameaças verbais ou violência física) e a exploração sexual (pedir ou coagir uma criança ou jovem a participar em actos sexuais em troca de dinheiro ou outra forma de pagamento).

2. Sem contacto físico - que engloba o assédio (falar de sexo de forma exageradamente vulgar à frente de um menor), o exibicionismo (mostrar as partes sexuais com intenção erótica), o constrangimento (ficar a observar crianças e jovens com ou sem roupa de maneira intimidatória) e a pornografia infantil (tirar fotos ou filmar poses pornográficas ou de sexo explícito).

Há ainda o incesto que, sem dúvida alguma, é um dos piores (se não o pior!) tipo de abuso sexual de menores, podendo envolver contacto físico ou não. Não há dúvidas que o incesto tona o abuso sexual infantil muito mais difícil de ultrapassar, porque interrompe o sistema de suporte da criança - a família. Quando uma criança é abusada por um desconhecido, a família é capaz de a apoiar e dar a sensação de segurança. Mas, quando o abusador é um familiar, a palavra “família” perde todo o seu sentido e esta deixa de ser capaz de fornecer suporte ou uma sensação de protecção. Como as crianças têm muitas vezes recursos limitados fora da estrutura familiar torna-se difícil o “virar da página”, já que a sua confiança é destruída por uma das pessoas que deveria proteger e cuidar dela.

Uma violência sexual praticada contra uma criança ou adolescente pode repercutir-se em danos a vários níveis: físico, psicológico ou de comportamento. Embora de natureza diferente, são todas igualmente prejudiciais para a vítima e perduram durante muito tempo se esta não tiver nenhum tipo de aconselhamento. Vejamos então o seguinte vídeo alemão - "Dunkelziffer Tentacle"
- que mostra de que forma as marcas de um abuso sexual, ocorrido durante a infância, podem perdurar até ao final da vida.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Mitos sobre as Violações Sexuais


Existem numerosos mitos acerca das violações sexuais que constituem um perigo para a sociedade em geral. Isto porque nos levam a acreditar em determinadas coisas que, na realidade, não passam de rumores. Assim sendo, passaremos à apresentação de alguns, com o objectivo de esclarecer a população em geral relativamente a este assunto:

1. MITO: "Nunca serei violada(o), por isso não tenho que me preocupar com esse assunto"
FACTO: 1 em 6 mulheres e 1 em 33 homens serão vítimas de violação sexual, em qualquer momento da sua vida. Mais surpreendentemente ainda, 1 em cada 4 raparigas e 1 em cada 10 rapazes serão vítimas de abuso sexual antes mesmo de atingirem os 18 anos.

2. MITO: "Os violadores, geralmente, são pessoas desconhecidas da vítima"
FACTO: Cerca de 80% das violações sexuais envolvem pessoas conhecidas pela vítima (sendo 34,2% dos violadores membros da família, 38,7% conhecidos [professores, amigos, vizinhos, etc] e apenas 7% eram desconhecidos para a vítima).

3. MITO: "As vítimas, logo após serem violadas, contam logo o sucedido às pessoas que mais confiam"
FACTO: Infelizmente, 80% a 90% dos casos de violação não são denunciados à polícia. E, muitos deles, são denunciados anos mais tarde, tornando-se muito difícil arranjar provas suficientes para condenar o violador.

4. MITO: "As violações sexuais ocorrem mais à noite e em sítios escuros e perigosos"
FACTO: A maioria dos assaltos ocorre na casa da vítima ou do agressor (4 em 10 das violações ocorreram na casa da vítima, 2 em 10 das violações na casa de um amigo, vizinho ou parente e 1 em 12 das violações ocorreram em uma garagem) e não acontecem unicamente à noite, já que apenas 43% das violações sexuais ocorrem entre as 18 horas e a maia-noite. Logo, qualquer pessoa, a qualquer momento e em qualquer lugar pode ser violada sexualmente.

5. MITO: "Não se trata de violação se o agressor é namorado/a ou marido/esposa da vítima ou se eles já fizeram sexo antes"
FACTO: A vítima tem o direito de decidir o que ela faz com o seu corpo em todos as situações, se ela não quiser fazer sexo é a sua decisão e portanto, não deve ser forçada a fazer algo que não queira, mesmo que já tenha, voluntariamente, feito sexo com a mesma pessoa anteriormente.

6. MITO: "Todos os violadores sexuais são presos"
FACTO: Era óptimo se todos os violadores fossem punidos e possivelmente, presos, para que não voltassem a fazer sofrer mais ninguém. Contudo, para já, tal não acontece visto que a maior parte das vítimas não os denuncia e por isso, as autoridades nada podem fazer. Além disso, está provado que 15 dos 16 violadores que são presos, acabam por sair em liberdade muito antes de concluirem a sua pena. Sabe-se também que 46% dos violadores sexuais que são presos, após sairem da cadeia, voltam a cometer o mesmo tipo de crimes. Infelizmente os números não são muito animadores, já que nos indicam que quando uma violação sexual é denunciada a probabilidade do abusador ser preso é somente de 50,8%. No entanto, caso isso aconteça, a probabilidade do mesmo ser julgado é de 80% e a de ser acusado é de 58%. Assim, conclui-se que a probabilidade do agressor ficar na prisão é de 16,8%.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

As "Pulseiras do Sexo"

Um problema que tem vindo, recentemente, a afectar vários adolescentes é o uso das chamadas "Pulseiras do Sexo". À partida, estas são consideradas pulseiras, de silicone colorido, completamente inofensivas, no entanto o significado das suas cores tem uma conotação sexual explícita (como podemos verificar na imagem acima). Segundo o código que rege esta perigosa brincadeira, a pessoa que conseguir rebentar uma das pulseiras tem o direito de exigir a forma de contacto físico correspondente à sua cor.

Esta brincadeira de divertida e inócua, transforma-se num grave problema que tem dado, nestes últimos tempos, origem a um significativo aumento de casos de violações sexuais de raparigas. Estas pulseiras passaram a ser tema do dia na comunicação social inglesa, quando uma rapariga de 13 anos foi violada por três rapazes, em Londres. Segundo as autoridades, o crime terá sido motivado pelo uso do adereço.

A vítima foi abordada pelos três jovens, que lhe rebentaram a pulseira, cobrando de seguida a respectiva forma de contacto físico. Neste caso, a pulseira a ser rompida foi de
cor preta e, portanto, a rapariga teria que praticar relações sexuais com os rapazes. A rapariga foi coagida pelos três adolescentes a ir para a casa de um deles, onde acabou por ser abusada sexualmente. Os envolvidos não se conheciam, o que leva as autoridades a assumirem que o que terá desencadeado a agressão foi a "Pulseira do Sexo". A jovem está agora a ter acompanhamento psicológico. Por outro lado, os agressores, um deles maior de idade, aguardam decisão do tribunal.

Apesar deste jogo ter começado no
Reino Unido, também já há relatos do seu uso no Brasil, onde a polémica está instalada: duas adolescentes que as usavam foram encontradas mortas após sinais de violação sexual. As autoridades brasileiras estão a investigar a ligação dos homicídios com o jogo, uma vez que foram encontradas pulseiras rebentadas, caídas ao lado de ambos os corpos. No Brasil, o uso das controversas pulseiras está na ordem do dia, tanto na imprensa como nas escolas, associações de encarregados de educação e, até mesmo, na política. Em cima da mesa já está um projecto de lei que proíbe o uso dos adereços nas escolas municipais.

É importante, desta forma, alertar toda a comunidade para que este tipo de jogos não venha a desencadear, no nosso país, crimes tão significativos e complexos como estes, porque, de facto,
uma violação sexual é um acto terrível que pode destruir a vida de muitos…

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Porque se comete uma violação sexual?


Uma das questões mais difíceis de entender, é realmente, porque se comete uma violação sexual?

Vários sexólogos e psicólogos têm vindo a realizar vários estudos para tentar perceber o que leva a uma pessoa a praticar uma acção tão monstruosa e violenta, como a violação, contra outro ser humano. No entanto, nenhum estudo encontrou razões concretas acerca do que levava um indivíduo a cometer esse crime, mas sim alguns motivos que possivelmente poderiam explicar este acto.

A violação não é uma simples acção, e não há uma explicação fácil para ela porque, todos os violadores são diferentes e logo, as suas razões também.
Infelizmente muitas pessoas acreditam que a violação trata-se apenas de um crime sexual, ou seja, o violador abusa sexualmente outro, porque ele tem carência de relações sexuais. Mas a maioria de psicólogos criminais caracterizam a violação como um crime de poder, de dominação e de degradação de outro indivíduo. Uma vez que, o violador poderia obter prazer sexual sem ter que obrigar alguém a força.
Assim a violação sexual corresponde, em geral, a necessidade do Criminoso Sexual de:

  • Reafirmar o seu poder em submeter a vítima. O acto violento vem compensar ou reafirmar seu domínio (superioridade sexual) diante da insegurança que o tortura. Por outras palavras, o violador utiliza a violência na intenção de elevar a sua auto-estima. É por isso que a maioria das vítimas são crianças, jovens e mulheres porque, quer fisicamente quer psicologicamente, eles são mais fracos. Quando se trata de um frustrado ou inseguro sexual, costuma-se impor na possessão sexual violenta da sua vítima como forma de compensar essa insegurança que sente e vive. Eles actuam com violência para conquistar o seu objectivo, que é ter uma(s) relação(ões) sexual(uais). A violação acaba também por ser o meio através do qual o violador afirma a sua identidade pessoal e sexual. O agressor é designado o “Violador do Poder.”

  • Violador conseguir o orgasmo submetendo a vítima como uma solução última para resolver o seu conflito para obter prazer orgásmico. A utilização da força e da agressão tem por objectivo a excitação sexual, já que, através do perigo e da violência consegue o que não atinge numa actividade sexual convencional.

  • Afirmar o seu machismo/feminismo, já que é habitualmente esta necessidade que se expressa através das violações como uma forma de prepotência masculina ou feminina, para reafirmar a sua identidade sexual.

  • A violação é ainda a forma que o violador tem de se vingar e de expressar o seu ódio ou mágoa derivado a um acontecimento passado. É forma que o agressor arranjou de aliviar a dor e reparar as injustiças reais ou imaginárias que sofreu durante a vida. Ele pode ter antecedentes de maus-tratos na infância, traumas infantis, ser filho de pais adoptivos ou de pais divorciados, entre outros. Estudos americanos vieram desmentir a ideia de que os violadores cometem este crime porque durante a infância também eles sofreram de abusos sexuais. De facto a maioria nunca chegou a ser violado. Logo, descarregam contra a vítima toda a sua raiva. Este agressor é chamado o “Violador da Fúria).

Estes são, entre muitos outros, alguns dos motivos que levam um violador a cometer este tipo de crime.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Children see, children do!


O slogan “ver é saber” vem de encontro à Teoria de Aprendizagem Social, de um dos psicólogos que mais se dedicou ao estudo da aprendizagem social, Albert Bandura. Este chegou à conclusão que a aprendizagem social ocorre pela observação e imitação das condutas daqueles com quem vivemos ou exercem influência sobre nós. Assim sendo, concluiu que inicialmente interiorizamos e posteriormente, temos tendência a expressá-los.

Esta Teoria pode ser facilmente corroborada se pensarmos que as brincadeiras favoritas das crianças são, de facto, imitar os adultos: brincar às casinhas; brincar aos polícias e ladrões, etc. Os adultos passam por isso, a ser os modelos das crianças e impõem-se pelo sucesso, classe, estatuto social, competência ou poder. Assim, pais, professores, catequistas, artistas de cinema, políticos, desportistas ou actores podem constituir-se como modelos a ser imitados, dependendo das circunstâncias e claro, da etapa da vida em que nos encontramos.

As pessoas significativas para nós, aquelas com as quais mais nos identificamos, podem influenciar-nos de forma positiva ou negativa e isso vai reflectir-se em comportamentos sociais considerados bons ou maus. Esta Teoria vem então explicar porquê que, muitas vezes, as crianças que foram violadas pelos pais tendem, mais tarde, a ter o mesmo comportamento.
Embora pareça chocante e um pouco paradoxal, as condutas ficam retidas na memória e quando achar oportuno, o sujeito tende a reproduzi-las. Pois são as condições que determinam e desencadeiam os comportamentos aprendidos.

Assim sendo, e infelizmente, o violador sofre, sofreu e faz sofrer. Os violados tornam-se frequentemente violadores, também porque a violência é frequentemente considerada a expressão mais “fácil” de um sofrimento não expresso.

Veja-se então, o seguinte vídeo feito pela “NAPCAN – Preventing Children Abuse”, uma instituição australiana que tenta, através desta campanha, consciencializar e sensibilizar todos os adultos acerca das suas condutas, porque… Children see, children do!

Contamos com a vossa colaboração!

O Grupo A está interessado em conhecer pessoas que, infelizmente, já tenham passado por uma violação sexual, e que não se importem de colaborar connosco e partilhar a sua história. Mesmo que os testemunhos sejam em anonimato seria, sem dúvida alguma, uma mais valia e iria ajudar-nos a enriquecer o nosso trabalho!
Assim sendo, pedimos que nos contactem o mais rapidamente possível para grupoa.eseq@gmail.com
Obrigada! Contamos convosco!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Número de Violações Sexuais tende a aumentar

Estávamos no ano de 2004 quando Francesca Navratil, pediatra suíça com especialização em ginecologia na adolescência, revelou que "entre 10 a 15 por cento das crianças ou adolescentes vão ser abusados antes de atingirem a maioridade".
A especialista ainda acrescentou que "o abuso sexual é frequente e, por isso, uma parte do nosso trabalho é verificar se os doentes são suspeitos de abuso sexual". E quando questionada acerca dos procedimentos que teria que tomar, enquanto médica, perante um caso destes, referiu que "Por um lado, tem de se pensar na melhor maneira de gerir a situação e pedir ajuda quando necessário; por outro, há que confirmar a história do doente e, nesse caso, a intervenção tem de ser multidisciplinar (...) quando as crianças e adolescentes chegam ao médico, quer por via directa quer por via indirecta, é fundamental perceber a história, ouvir a descrição e interpretar as evidências e por fim fazer sempre um exame geral, sendo que a criança nunca deve ser forçada".
O abuso sexual de crianças e adolescentes é para Francesca Navratil um dilema no diagnóstico isto porque, "sempre que existe suspeita de abuso é preciso estudar e verificar a história da criança e, para isso, o tempo de examinação é crucial, uma vez que há várias patologias que se podem confundir com o que é resultado de uma situação de abuso". Infelizmente, e de acordo com as suas declarações, "poucas crianças apresentam sinais visíveis, o que torna o diagnóstico ainda mais complicado. Nesse sentido, vão continuar a existir alguns casos em que a suspeita realmente não se confirma".
Em jeito de alerta, a pediatra definiu abuso sexual como uma problemática que envolve muito mais que penetração e manipulação dos órgãos genitais. Para ela, o indivíduo ou, neste caso a criança, pode não perceber que é de facto, uma vítima. E isto porque se trata de uma relação de poder e onde, geralmente, o agressor tem uma estreita cumplicidade com a criança ou adolescente.
Na altura, estas afirmações, reveladas aquando das I Jornadas "Mulher: do Nascer ao Ser", chocaram e preocuparam milhares de pais, namorados e jovens por todo o País. No entanto, e ao contrário do que seria desejável, o choque e a preocupação mantêem-se mesmo após 6 anos passados.
Esperava-se, talvez ilusioriamente, que desde 2004 até aos dias de hoje, alguns avanços se viessem a verificar no sentido de diminuir os valores percentuais de violações sexuais. No entanto, e inacreditavelmente, o número de casos não baixou. Aliás, dados actuais indicam que 1 em cada 6 mulheres e 1 em cada 33 homens sofrerá uma violação sexual ao longo das suas vidas. No caso das crianças, os números são ainda mais assustadores - 1 em cada 4 meninas e 1 em cada 10 meninos serão vítimas de abuso sexual antes de atingirem os 18 anos de idade. Com base nestes números, acredita-se que se nada se fizer para tentar contrariar esta tendência, os números cresçam à medida que os anos passam...
Notícia sugerida pelo nosso seguidor Félix Vieira, a quem, desde já, agradecemos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Assédio Sexual a Geisy Arruda

Foi a 22 de Outubro de 2009 que, a Universidade Uniban, situada em São Paulo (Brasil), testemunhou o mais recente caso de assédio sexual que andou nas bocas do mundo. 700 alunos da Universidade ficaram em alvoroço e geraram uma situação extremamente constrangedora para a vítima em questão, Geisy Arruda, de 20 anos. Isto, alegadamente, porque a mesma foi para as aulas com um vestido curto e considerado por muitos, provocatório.
A situação rapidamente ultrapassou os limites - o recinto ficou cheio de alunos que lhe repetiam insultos e assediavam sexualmente* - e por isso, a aluna teve que ser protegida e escoltada pela Polícia que a ajudou a sair do edifício em segurança. Geisy encontra-se muito abalda com a situação e não entende porque tudo aconteceu, já que "Estava com um vestido normal. Não era decotado nem nada! Estava só do jeito que eu uso mesmo." Os pais e amigos de Geisy apoiam-na e confirmam que ela sempre usou roupas curtas, mas que nunca tinha acontecido uma situação daquelas.
Pouco tempo após a polémica, a Uniban decidiu-se pela suspensão da aluna, atitude que o assesor jurídico da instituição, Décio Lencioni, justificou dizendo que "Não é pela vestimenta. É pela atitude provocatória da aluna Geisy, como por exemplo, de ao subir ter parado no meio do percurso e levantado a saia." (ver vídeo).

O que é certo é que desde essa altura até agora, a atitude de Geisy Arruda mudou radicalmente. Podemos até dizer que, a situação por que passou serviu para que a jovem passasse a ser vista como uma nova celebridade brasileira que já fez cirurgias plásticas, sessões fotográficas ou participações televisivas, por exemplo. Quanto ao que o futuro lhe reserva, embora inicialmente ela quisesse voltar a estudar porque acreditava que "Se eu ficar em casa recolhida vou assumir a culpa de algo que eu não fiz", actualmente quer apostar na sua fama e exposição pública. Assim, poderemos vê-la, desta vez bem diferente e sem qualquer tipo de constrangimentos, a desfilar no Carnaval de Sapacuí ainda este ano. É caso para dizer que, para alguns, há males que vêm por bem!

*ASSÉDIO SEXUAL: Tipo de coerção de carácter sexual praticada por qualquer tipo de pessoa (desde subordinados a subordinadores) nas mais diversas situações (local de trabalho, ambiente académico, etc). Caracteriza-se por ameaças, insinuações de hostilidades e tentativas de investidas sexuais.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Tipos de Violações Sexuais

Todas as violações sexuais envolvem a realização de actividades de foro sexual contra a vontade de uma pessoa e com recurso à força, violência, coacção, medo e lesões corporais.

No entanto, é preciso ter em conta que existem vários tipos de agressões sexuais aos quais todos nós devemos estar alerta. Por isso, de seguida enumerarei alguns deles:

VIOLAÇÃO POR UM CONHECIDO: 73% das violações sexuais são cometidas por alguém conhecido da vítima isto é, pelo pai, vizinho, professor ou amigo. Isto torna este crime ainda mais assustador, porque revela que devemos desconfiar até daqueles que conhecemos e confiamos.

VIOLAÇÃO COM DROGAS: 11,6% dos abusos sexuais ocorre com recurso às drogas por parte dos agressores. Assim, a vítima é drogada com determinados tipos de sedativos, calmantes e anti-histamínicos. Estes medicamentos são administrados principalmente por uma injecção, insuflação nasal (cheirada) ou pela ingestão oral (em que, na maioria das vezes, o assaltante coloca a droga na bebida da vítima). O álcool e as drogas tornam, não só as mulheres mas todos os seres humanos, incapazes de agir de acordo com os parâmetros da “normalidade”. Assim, não se pode dizer que só pelo facto das vítimas estarem drogados dêem automaticamente autorização para a realização de qualquer tipo de actividade muito menos, sexual.

VIOLAÇÃO NO NAMORO/CONJUGAL: Independentemente da relação conjugal ou social, se a mulher não consentir a actividade sexual, está a ser violada. Na verdade, 28% das mulheres são vítimas de violação por parte dos maridos e 14% por parte dos namorados.

VIOLAÇÃO DE ÓDIO: É a vitimização de um indivíduo baseado na religião, na raça, na origem nacional, na identificação étnica, no género ou na orientação sexual. As vítimas deste tipo de violação são maioritariamente mulheres, uma vez que estas são consideradas objectos dos homens e não seres humanos, mas também, membros da comunidade LGDT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).

VIOLAÇÕES NAS GUERRAS: É o tipo de violação cometida por soldados, combatentes ou civis durante o conflito armado ou de guerra.

Para mais informações sobre estes dois últimos géneros de violação, consultar a publicação ‘Violação como Arma de Guerra’ publicada no dia 4 de Novembro de 2009.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"Quando os Olhos não Mentem" - GRUPO A

A partir de hoje, todos poderão ver os cartazes que o nosso Grupo elaborou para promover o tema "Violações Sexuais". Estão afixados um pouco por toda a Escola Secundária Eça de Queirós de modo a que todos fiquem a conhecer o GRUPO A e o endereço do nosso blogue.

Esperamos assim ter um bom feedback de toda a comunidade escolar!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O que é uma Violação Sexual?

Quando se fala em "abuso sexual" a primeira ideia que nos vem à cabeça é, provavelmente, a de "violação". Isto acontecerá em virtude da gravidade deste acto, o qual implica dor física e psicológica, mas também devido às representações que temos do conceito de abuso sexual, principalmente devidas às mensagens fortes e sensacionalistas frequentemente transmitidas pelos mass media, e às influências sociais das quais somos vítimas nos nossos contextos de vida.

Entende-se por violência sexual um acto ou jogo sexual, hetero ou homossexual, entre dois indivíduos ou mais, sendo eles o(s) violador(es) e a(s) vítima(s), tendo como finalidade a estimulação sexual da vítima e/ou a utilização da mesma para obter a estimulação sexual do violador. A violação sexual consiste então, numa situação de dominação na qual o violador impõe actividades sexuais à vítima. A intenção do processo de violação sexual é claramente, o prazer, directo ou indirecto, do(s) violador(es).